segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cristo sim! Cristianismo não!

É difícil fugir da conclusão de que, hoje, uma das maiores barreiras que se erguem contra o evangelho de Jesus Cristo é a igreja institucional. Há alguns anos, um estudante protestava brandindo uma placa que dizia: "Cristo sim! Cristianismo não!" Penso que ele expressava o que muitos sentem: na grande maioria das vezes a igreja institucional representa algo radicalmente diferente do Jesus Cristo da Bíblia.

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A situação hoje não deixa de ser irônica. Por um lado, grande parte da igreja institucionalizada fala em seu cantinho consigo mesma sobre como ser relevante, e adota uma teologia que tem como premissa não declarada: "Se você não pode vencê-los, junte-se a eles". Muitas vezes ela apresenta uma "teologia" de causas políticas e/ou sociais ligada de modo tão desesperador a modismos culturais passageiros, que ela morre bem antes que os teólogos que a inventaram.

Enquanto isso, de volta às telas da tv, uma enxurrada de programas de entrevista domina a cena, ignorando a igreja enquanto seus participantes tagarelam acerca de suas experiências e relacionamentos. As pessoas não querem uma teologia em que crer ou mesmo uma causa pela qual viver, mas acima de tudo uma experiência que pareça real. Na falta disso, enchem sua vida com descartáveis emocionais como sexo, drogas, relacionamentos egocêntricos e misticismo da Nova Era. Gangues de adolescentes emesmo grupos de punk rock e rap, estão na verdade representando uma parábola dramatizada. Estão dizendo: "Queremos um gostinho da experiência".

Nós poderíamos oferecer isso. A igreja poderia apresentar Cristo, não uma instituição ou uma teologia ou um programa. A igreja poderia apresentar Jesus, não um cristianismo antiquado a adulterado. Mas é claro que ela não o faz. Ela tenta fermentar um vinho novo em vez de jogar fora os odres velhos. Na maioria das vezes, a igreja não está apenas no mundo; em grande medida, ela é também do mundo.

Escrevo como um evangélico que aceita que a Bíblia tem plena autoridade. Se estivéssemos falando aqui apenas no aspecto teológico, poderíamos lançar nossas críticas contra a igreja e nos manter confortavelmente longe de qualquer perturbação, pois poderíamos atribuir toda a culpa ao liberalismo doutrinário. Porém, quando falamos de assuntos como divisão de classes, discriminação racial, institucionalismo, negligência em relação aos pobres e ao centro velho das grandes cidades, e a falta de consciência social e impacto cultural, estamos sendo confrontados por problemas que estão presentes tanto ( e às vezes até mais) nas igrejas evangélicas e fundamentalistas como nas assim chamadas igrejas liberais.

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Obviamente, não é que a igreja hoje não tenha propostas para renovação. Mas a maioria dessas sugestões é herética ou não é radical o suficiente. São heréticas, pois jogam no lixo o evangelho bíblico em troca de algo mais "relevante". Ou não são radicais o bastante: tantam permanecer atadas, mais do que devem, a tradições, organizações e estruturas da igreja. A maioria dos programas de renovação sugeridos por autores evangélicos enquadra-se nessa última categoria, com algumas exceções notáveis.

Para um evangelho radical (bíblico) precisamos de uma igreja radical (bíblica). Para um vinho sempre novo devemos ter continuamente odres novos.

LIVRO: Vinho novo, odres novos.
AUTOR: Howard Snyder.